Regeneração (Parte 1)

Nesta Atividade, aprenderá a transcender o modelo industrial de extrativismo exagerado para criar novos modelos com base na regeneração ecológica.

Isto inclui:

  • Passar de consumidores perdulários para produtores que reduzem, reutilizam e reciclam
  • Design holístico
  • Aprender com a natureza

“Tudo aquilo de que necessitamos para vivermos uma boa vida está à nossa volta. Sol, vento, pessoas, edifícios, pedras, mar, pássaros, plantas. A cooperação com todos estes elementos traz harmonia, a oposição a eles acarreta desastre e caos ”- Bill Mollison, cofundador da Permacultura

Desde o início da era industrial, temo-nos dedicado a criar sistemas que maximizem o lucro à custa das pessoas e do planeta. Estes sistemas são intensivos em termos de utilização da energia e do desperdício gerado.

Usamos energia (sob a forma de carbono) para extrair mais energia, a fim de produzir e consumir mais. O resultado final é uma quantidade crescente de desperdício. Produzimos resíduos com a exploração de terras para monoculturas como o milho. Mas porque usar o milho como ração animal, quando poderíamos servir-nos da terra para obter resultados mais sustentáveis?

As monoculturas também se encontram na expansão das massas suburbanas. Filas e filas de casas e jardins consomem e desperdiçam energia. Estes sistemas limitam o nosso potencial a uma mentalidade consumista sem fim à vista. Se utilizássemos até 20% desses relvados, poderíamos cultivar comida suficiente para todos.

Passar de consumidores que desperdiçam para produtores que reciclam, reutilizam, regeneram

Ao percebermos as limitações do consumismo, temos a oportunidade de sair do sistema e criar algo melhor. Podemos fazer a transição de uma cultura de consumidores que desperdiçam para uma cultura de produtores capazes de projetar sistemas para a regeneração.

Ao pensar sobre como os sistemas se regeneram, podemos aprender com a natureza. Pense numa teia de aranha, por exemplo. A aranha desenha a sua teia desde o padrão até aos detalhes – usando uma forma altamente integrada de design funcional para atingir os seus objetivos.

Uma teia de aranha proporciona abrigo à aranha, enquanto ela captura a sua presa em pleno voo. Este é um princípio dinâmico da permacultura: use algo que serve para mais do que uma função.

Os herbicidas, pesticidas e fungicidas servem apenas para uma função. Numa monocultura, precisamos de usar mais energia para obter resultados mais amplos. No próximo ano, necessitaremos do dobro da quantidade para atingir rendimentos semelhantes. As toxinas químicas danificam o nosso meio ambiente e esgotam a fertilidade do solo.

Toxinas químicas danificam nosso ambiente. Eles esgotam a fertilidade do solo. Estamos a perder anualmente 2mm de solo de superfície por hectare, devido aos efeitos da agricultura industrial.

Design holístico

Se mudarmos a nossa perceção e projetarmos holisticamente, com a regeneração em mente, poderemos criar sistemas autossustentáveis. Poderemos projetar sistemas que possuem entradas de carbono zero e múltiplas saídas, se procurarmos padrões na natureza. Isto é conhecido como biomimética – a utilização do design para imitar a natureza.

Regenere a forma e a função de um ecossistema e poderá estabelecer rapidamente sistemas que, em vez de esgotarem recursos, os reabastecem.

Existe também um aspeto espiritual na regeneração. Enquanto a sustentabilidade se dedica a fazer menos mal, a regeneração melhora as coisas. Aqui reside o seu potencial criativo.

Aprender com os padrões da natureza

A natureza funciona sem fungicidas, pesticidas ou herbicidas – com a energia renovável do sol. A natureza, como um sistema, está interligada. Cada parte depende do funcionamento saudável de outras partes do todo.

O design regenerativo engloba relacionamentos benéficos, garantindo que o sistema evolui e se torna cada vez mais forte. Através da biodiversidade, integramos aliados benéficos para criar sistemas que regeneram a abundância em múltiplos níveis.

A ideia de centralização, produção em massa e transporte de longa distância vai contra a natureza. Em vez disso, temos de observar e interagir com modelos locais e ecossistemas como a floresta.

Se alinharmos a nossa economia com a natureza, voltando a um ritmo de vida mais lento e constante, poderemos curar sistemas arruinados e tóxicos. Replicar um sistema focado na regeneração é a nossa maior esperança contra a instabilidade ambiental, social e económica.

A regeneração é impulsionada pela forma como nos reunimos e usamos os nossos talentos criativos para tornar os sistemas sustentáveis. Algo tão simples como reunir-se com a sua comunidade local para cultivar um jardim vegetariano pode ser um passo decisivo!